
A Paramiloidose foi identificada pelo Prof. Doutor Corino de Andrade que observou doentes com sinais e sintomas que reputou de desconhecidos pela medicina dos anos 30 e 40 do século passado. Dedicou-se à investigação e à prática clínica desta doença, o que lhe valeu distinções e reconhecimento mundial na área médica.
Nascido em moura a 10 de Junho de 1906, o Prof. Doutor Corino de Andrade terminou a licenciatura em medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa a 13 de Novembro de 1929.
Influenciado pelo seu professor de Neurologia, António Flores, e após alguns contactos com Egas Moniz e Almeida Lima, aquando do seu estágio no hospital de Santa Marta, o Prof.º Doutor Corino de Andrade começou a interessar-se pela neurologia, o que o levou a especializar-se em Estrasburgo com o Professor Barré, um dos grandes vultos da neurologia mundial à data.
Em 1933, o Prof.º Doutor Corino de Andrade torna-se o primeiro especialista não francês a receber o prémio Dejerine para ciências neurológicas.
Em 1938, regressa a Portugal e, no início de 1939, começa a trabalhar no serviço de neurologia do Hospital Geral de Santo António.
É nesse serviço que pouco tempo depois aparece ao Prof.º Doutor Corino de Andrade uma mulher de 37 anos, residente na Póvoa de Varzim, que tinha a “doença dos pezinhos”, assim batizada pelo povo que bem sabia que o “mal” apanhava os pés e não deixava caminhar. A síndrome neurológica e a história clínica dessa mulher fazem o Prof.º Doutor Corino de Andrade pensar, desde logo, numa entidade patológica ainda não descrita.
Um olhar científico ligado ao método clínico é executado com tal perícia que lhe vale, incontornavelmente, a definição de uma entidade clínica autónoma, a Doença de Andrade. Mas o Prof. Doutor Corino de Andrade tem a grandeza de assumir que “sábios são aqueles que procuram” e até à divulgação mundial da doença, em 1952, muitos passos dá procurando incessantemente a ordem e a desordem de uma doença por classificar, ou mal classificada.
Em setembro de 1952 e pela primeira vez na íntegra, é editado na revista científica Brain o célebre artigo – A Peculiar Form of Peripheral Neuropathy (Brain, vol.75: 3, 408) – que lança definitivamente o Prof.º Doutor Corino de Andrade para um lugar de topo nas neurociências mundiais.
Em outubro de 1975, é nomeado para a comissão instaladora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, o qual veio dar um novo alento a gerações de alunos, professores e investigadores apaixonados por esta patologia.
Até à sua reforma do Hospital Geral de Santo António em 1976, o Prof.º Doutor Corino de Andrade manteve sempre as suas investigações, fundando o Centro de Estudos de Paramiloidose (CEP) em 1960, que dirigiu até 1988.
A sua atividade científica e cívica mereceu-lhe várias distinções ao longo da vida, entre as quais o Grau de Grande Oficial de Santiago de Espada (1979), a Grã-Cruz da Ordem de Mérito (1990), o Grande Prémio Fundação Oriente de Ciência e, em 2000, o Prémio Excelência de Uma Vida e Obra da Fundação Glaxo Wellcome.
Faleceu no Porto, em 16 de Junho de 2005.



